Você tem uma ideia. E agora? – Parte 1

Um dia você tem uma ideia. Ela pode ter nascido de uma notícia de jornal, de um comentário aleatório que você ouviu na rua ou até mesmo de um sonho. Daí ela se junta com aquela vontade maluca e secreta que você sempre teve de escrever, e as duas juntas não te deixam em paz. Vão tomando conta do seu cérebro, se desenvolvendo e se ramificando, fazendo você sonhar acordado e te distraindo nas horas mais inconvenientes, e você acaba se rendendo ao irresistível apelo — Meu Deus, que loucura! — de colocá-la no papel.

Existem dois tipos de escritores, os que gostam de planejar e os que preferem simplesmente sentar e escrever, deixando a história evoluir quase que por si própria. Esses últimos são conhecidos como “pantsers” e se você é um deles, vai fundo. Mas se você, assim como eu, gosta de criar uma base para se apoiar, então você é um “planner” ou “plotter”, e aqui vão algumas dicas de como se preparar para que a tarefa à sua frente não se prove um desafio maior do que o que você se sente capaz de enfrentar.

– Escolha o gênero

Ficção ou não-ficção. Romance, drama, mistério, horror, fantasia, ficção científica…

Parece obvio, mas não é.

Vamos supor que a sua ideia tenha se originado de uma notícia sobre o homicídio de uma mulher. Mistério, claro. Você começa com o assassinato, inventa um policial ou detetive e escreve sobre a investigação que leva a descoberta do assassino. Mas você também pode criar uma história de um romance trágico, em que a morte é o final do seu livro. Ou pesquisar sobre as doenças psíquicas e criar um suspense contado sob a perspectiva doentia do assassino. Ou ainda, escrever um manual sobre a segurança da mulher e como se prevenir de situações potencialmente perigosas. As possibilidades são muitas.

O que vai determinar a sua escolha, e o que a faz parecer tão óbvia para você, são os seus hábitos como leitor. E isso é bom porque quando você lê muito um determinado tipo de livro, você cria dentro de você, sem perceber, uma estrutura de como aquele gênero específico funciona e a história vai fluir com mais facilidade. Escrever sobre o que você conhece, é um conselho dado por vários escritores experientes.

Esse foi o resultado de uma pesquisa da Innovare feita em 2014. Os números atuais devem ser diferentes, mas dá para ter uma ideia do que os leitores brasileiros preferem ler.

 

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Porém, se você, por exemplo, gosta de ler romances e sente que aquela sua ideia genial funciona melhor em outro gênero, não tem problema. Você só vai precisar se aprofundar um pouco mais na sua preparação e pesquisa.

O importante é escrever pelos motivos certos. O autor que coloca o coração no seu trabalho, não tem problemas em conquistar a afinidade e a lealdade do seu leitor.

– Quantas palavras?

Agora você precisa decidir até que ponto desenvolver sua ideia, e em termos de mercado, isso significa contar o número de palavras. O gênero que você escolheu, pode servir como parâmetro.

Conto – é uma obra de ficção de narrativa pouco complexa com no máximo 7.500 palavras.

Noveleta – também é uma obra de ficção curta. Entre 7.500 até 17.000.

Novela – é uma obra em prosa de tamanho e complexidade médios com vai de 17.000 a 40.000 palavras.  (Não confundir com novela de televisão, que é um gênero literário de dramaturgia completamente diferente).

Romance – é a categoria com a maior variação, podendo ir de 40.000 a 150.000 palavras. Ao escrever, considere a experiência que você quer proporcionar ao seu leitor. O que você acha que ele espera do seu livro, uma leitura rápida e fácil ou profunda e cheia de detalhes? Um livro de romance Young Adult, por exemplo, geralmente fica entre 25.000 e 75.000 palavras.

Ficção Científica e Fantasia – os leitores desses gêneros, em geral, esperam livros maiores e com descrições detalhadas para que eles possam realmente mergulhar nos universos complexos criados nessas histórias. Mesmo com essa tolerância maior, você não deve passar das 150.000 palavras.

Romance histórico – para escrever romances de outro período você também precisa dar descrições e explicações mais detalhadas sobre o que não deixa de ser um universo diferente para o seu leitor. A faixa das 100.000 palavras dá a você bastante espaço para fazer isso.

Mistério, Crimes e Horror – os livros desse gênero precisam ser do tipo que não se consegue largar até chegar a última página. Para manter a narrativa num passo rápido e emocionante, o autor precisa ser bastante preciso e econômico com as suas palavras. A maneira mais fácil de matar a tensão da sua história é se estender em descrições longas demais. Fique na faixa entre 70.000 e 90.000 palavras.

Não Ficção – essa categoria compreende tantas variações (biografias, ensaios, artigos, editoriais, entrevistas, bibliografias, etc.) que é impossível se estipular um número de palavras. Se você escreveu um livro de não ficção e quer saber se está dentro das restrições do mercado, faça uma pesquisa rápida sobre o que os outros autores publicados nessa categoria estão fazendo.

O que você deve manter em mente, é que quando uma editora publica um livro, ela está em busca de lucro, e quanto mais palavras, mais tinta e papel e dinheiro são gastos. Por isso, se você é um autor iniciante buscando ser publicado, procure ficar na faixa de contagem mais baixa de cada gênero. Com a conquista gradativa de leitores, você pode lutar por um pouco mais de liberdade. Isso fica bastante claro quando você olha uma coleção de livros do Harry Potter, e como sua autora, J. K. Rowling foi conquistando espaço, e páginas, ao longo das edições.

– Escolha seu público alvo

Não é muito difícil entender que capturar a atenção de um adolescente de dezessete anos e de uma senhora de sessenta, são tarefas bastante distintas uma da outra. Escolher seu público alvo é importante para adequar seu vocabulário, seu estilo e o tema abordado na sua história ao leitor que você tem em mente, além de ser fundamental para comercializar seu livro se você almeja, um dia, ser um autor publicado.

Uma dica, não tenha medo de mirar um grupo demográfico pequeno, em geral, eles são os leitores mais leais e dedicados se você fizer uma pesquisa caprichada e com fontes legítimas antes de escrever.

– Escreva uma síntese

Seu próximo passo é escrever uma síntese, ou resumo, de como você pretende desenvolver sua ideia inicial. Nesse ponto você ainda não precisa saber exatamente como sua história vai se desenrolar, nem mesmo como ela vai terminar. Esse resumo é somente uma descrição breve dos principais acontecimentos da história, sua trama básica.

Somente depois de ter uma ideia clara da sua trama, você estará pronto para começar a parte mais específica da sua preparação, que é o assunto do próximo post.

 

Charles de Lint

 

E você? Prefere planejar ou se jogar de cabeça na escrita? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência.

 

Fontes:  http://bibliowiki.com.pt/index.php/Página_principal

http://manuscriptagency.com.au/word-count-by-genre-how-long-should-my-book-be/

http://www.conversacult.com.br/2013/12/quantas-palavras-um-livro-famoso-tem.html

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